Antiga Maçonaria Egípcia em Portugal

quarta-feira

Sobre Cagliostro

O que se sabe sobre Cagliostro, ainda não foi possível avaliar em sua totalidade. Por algum motivo, não muito claro, ele tinha conhecimento da pedra filosofal. Não muito claro por que seu comportamento, assim como de outros iniciados, como Helena Blavatski, não era de indivíduo muito cirscunspecto, como seria de esperar, tipo Saint-Germains, ou mesmo um guru da Índia.

Em alguns momentos, parece que Cagliostro assume um comportamento por demais exemplar, cuidador da pobreza e dos desvalidos. Noutro momento, com aparência espectacular, como quando foi chamado ao parlamento francês para se explicar no caso do colar da rainha, quando Cagliostro usava um corte de cabelo de certa maneira extravagante para o comum dos franceses, sem peruca, com seus cabelos enrolados numa só trança, seu comportamento é por demais extravagante, sugerindo um estilo de difícil entendimento para o que se espera de um iniciado.

No entanto, Blavatski foi para o Velho Oeste americano dar tiros ao velho estilo do far-west; portanto, não muito diferente. Talvez a importância de Cagliostro seja essa mesmo: mostrar que o que chamamos de iniciados são pessoas comuns, iguais a nós, mas que, por algum motivo, chegaram a uma compreensão melhor do universo. No entanto, seu comportamento de cuidador demonstrava que conhecia a pedra filosofal. A sua tentativa de mostrar as verdadeiras origens do cristianismo para a igreja católica, foi profética tanto quanto foi sua profecia sobre a Bastilha.

Para Cagliostro, as origens da verdadeira religião estavam fundamentadas na Escada de Jacob, que, por sua vez, estava relacionadas à Zoroastro ou, quem sabe, até antes, não importa. Para quem está interessado em pensar a essência da religião judaico-cristã, a hierarquia dos céus, através da compreensão dos anjos, explicava o universo que está acima de nós. Essa foi a grande contribuição de Cagliostro para o conhecimento do mundo, fruto de sua iluminação. Foi um homem como nós que teve uma visão do mundo, como outros tantos tiveram, mesmo que anónimos. Mas tem mais.

claudio-boucinha

sábado

A 'Capela Sistina do Antigo Egipto'

Arqueologia. Novos achados em Luxor

Descoberta raridade: um túmulo totalmente pintado e decorado

Chamam-lhe já a "Capela Sistina do Antigo Egipto". Uma equipa hispano-egípcia, liderada por José Manuel Galán, encontrou em Luxor, na margem do Nilo, uma câmara funerária pintada há 3500 anos, anunciou o Conselho Superior de Investigações Científicas de Espanha.

O túmulo, que faz parte da necrópole de Dra Abu el-Naga, tem as paredes e o tecto completamente pintados com desenhos e hieróglifos do Livro dos Mortos e seria de Djehuty, que foi um escriba real, supervisor do tesouro e dos trabalhos dos artesãos do rei sob as ordens de Hatshepsut, uma das poucas mulheres que foram faraós, filha de Tutmosis I (18.ª dinastia), cujo reinado durou de 1479 a 1457 antes de Cristo.

"Este é o sonho de qualquer egiptólogo", disse José Manuel Galán, citado pelo El Mundo. "Para além do indubitável valor estético, é importante porque nesta época não se decoravam as câmara funerárias. Só se conhecem outras quatro câmaras assim", explicou durante a apresentação da descoberta à imprensa. "O facto de Djehuty ter decidido pintar o seu túmulo coloca-o entre as figuras mais importantes e influentes da época", explica Galán, o director da equipa que, desde 2004, está a trabalhar em Luxor (antiga Tebas).

O túmulo, uma sala quadrada de 3,5 metros de largura e 1,5 metros de altura, terá sido uma dos primeiros a ser completamente decorado com pinturas, dizem os inves-tigadores. A equi- pa encontrou ainda uma entrada para uma outra divisão onde se encontrava um par de brincos de ouro que, provavelmente, pertencia a Djehuty ou a algum dos seus familiares. "Nesta época, os homens importantes da corte adoptaram o costume de se adornar com brincos, moda que pouco depois seria também adoptada pelos próprios faraós", explicou o egiptólogo.

Galán esclareceu ainda que as duas paredes que restam do túmulo estão cobertas com passagens do Livro dos Mortos, enquanto no tecto está pintada uma imagem da deusa do céu, Nut, que aparece com os braços abertos para abraçar o corpo do defunto, protegendo-o nesta sua nova existência.

A equipa de arqueólogos vai continuar a trabalhar nesta área e espera fazer mais descobertas valiosas. "Mas de nada serve encontrar vestígios desta importância se depois os abandonamos à sua sorte", disse José Manuel Galán. Por isso, a próxima campanha de escavações desta mesma equipa internacional dedicar-se--á, fundamentalmente, à preservação dos vestígios arqueológicos de Luxor. M. J. C., com agências