Antiga Maçonaria Egípcia em Portugal

segunda-feira

O Templo Maçónico

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“A humanidade seria muito mais feliz se todos fossem maçons “.

O que esta frase tem haver com templo maçónico?
Bem, o templo maçónico, lugar propositadamente fechado, isolado completamente do mundo exterior, é onde se reúnem os homens livres e de bons costumes com o objectivo firme de divulgar e praticar a igualdade, liberdade e fraternidade com justiça.

O templo maçónico, em todos os ritos, segue, bem de perto, a orientação e a decoração do templo de Jerusalém e do tabernáculo.
De acordo com o texto bíblico, Moisés, seguindo as instruções recebidas no Sinai, mandou construir o Tabernáculo (em hebraico, suká: tenda), para os ofícios religiosos, durante a vida nómada do deserto, desde a saída do Egipto, e para a guarda do Torá, conjuntos de textos sagrados hebraicos, conhecidos como o Pentateuco (Génese, Êxodo, Números, Deuteronómio e Levítico).

Estaremos dissertando neste trabalho os diversos pontos importantes sobre o templo tais como: As Colunas, J B e as Romãs; Os 12 signos; Pavimento Mosaico e a orla dentada; A corda de 81 nos; Altar dos Juramentos; O Delta luminoso, sol, lua, O trono do venerável, as 7 luzes e o Painel da loja.

AS COLUNAS DO TEMPLO.

Normalmente, em Templos Maçônicos, encontramos na entrada as 2 colunas
“B” e “J”, estando “B” a esquerda de quem entra e “J” a direita; de cada lado do Templo visualizamos 6 Colunas e, sobre os tronos, 3 colunas menores.

A palavra “coluna” se origina do latim e seu significado refere-se ao sustentáculo vertical. Com excepção das colunas “B” e “J” , muitos autores não vêem, para as demais colunas, nenhum significado simbólico, a não ser o de representarem o sustentáculo do Templo. Outros autores citam que as colunas representam os principais oficiais da Loja, sendo cada coluna ornamentada por um signo do Zodíaco. Desta maneira temos:

Venerável Mestre: Sol
1º Vigilante: Neptuno
2º Vigilante Úrano
1º Experto Saturno
Orador Mercúrio
Secretário Vénus
Tesoureiro Marte
M.'. de Cerimonias Lua

As quatro demais colunas são normalmente distribuídas ao Hospitaleiro, ao Porta Estandarte e aos Diáconos. Por outro lado e independentemente da determinação acima, cada um de nós é Coluna de seu próprio Templo e, portanto, sustentáculo espiritual da Maçonaria.

Se, no entanto, existem diferenças relativas a importância dada as 12 Colunas, tal não se dá em relação as Colunas “J” e “B”. Estas têm significado histórico e possuem forte representação Simbólica. A presença delas protegeria aquele que recebesse de Jeová a consagração de ser Rei ou Sacerdote. A presença de uma dessas colunas simboliza, portanto, a presença do próprio Senhor.
Sobre elas iremos tecer alguns comentários:

As Duas Colunas: (1º Livro dos Reis, Cap. VII - Bíblia).
O Rei Salomão trouxe de Tiro, um artesão de nome Hiram Abif, israelita por parte de pai e nephtali, por parte de mãe. Esse homem foi quem executou todos os ornamentos do Templo de Salomão, incluindo, portanto, as 2 colunas construídas em bronze. Simbolicamente essas representavam as 2 colunas de homens que Moisés dirigiu quando da saída dos Hebreus do Egipto.

No alto das duas colunas, ele colocou um ”capitel “ fundido em forma de lírio. Ao redor deste, uma rede trançada de palmas em bronze, que envolviam os lírios. Desta rede, pendiam em 2 fileiras de 200 romãs. À coluna da direita foi dado o nome de J e à da esquerda, B. Atribui-se a cor vermelha – activo, Sol -- à coluna J\ e a cor branca ou preta – passivo, Lua – à coluna B\. O Vermelho significa inteligência, força e glória; O Branco, beleza, sabedoria e vitória.

Há quem esclareça que as colunas se destinariam a guarda dos instrumentos e ferramentas dos operários e que junto a elas, seria o local onde os operários receberiam seus pagamentos pelos serviços prestados. Nestas colunas estariam, portanto, guardados as espécies e o ouro com o que os operários eram pagos. No entanto, pelo tamanho das colunas fornecido pela Bíblia, seria impossível, em tão pequeno espaço, caberem todas as ferramentas e instrumentos alem do ouro e espécies. Também, em nenhum momento a Bíblia cita as colunas como local possuidor de portas de armários.

AS ROMÃS, OS LÍRIOS E AS CORRENTES.

Os Lírios simbolizam a pureza e a virgindade: a beleza feminina. Representam a chama pura e fecundante: o calor.

As Romãs simbolizam a virilidade masculina. Romã é um fruto possuidor de sementes avermelhadas unidas e de sabor agridoce. O vinho proveniente do cultivo da Romãzeira – utilizado desde os primórdios de Israel – possui propriedades afrodisíacas.

O grande número de grãos que a Romã possui e sua propriedade afrodisíaca, fez com que a mesma fosse considerada, na Simbologia popular, como sendo a representante da fecundidade e da riqueza. Este, talvez, seja o significado mais correto para as Romãs colocadas sobre as colunas de Salomão. No entanto, também, são simbolizadas como sendo a força impulsionadora para o trabalho e dispêndio de energia.
Na Maçonaria, os grãos da Romã, mergulhados numa polpa transparente, simbolizam os maçons unidos com energia e força para realizarem o trabalho.
Sete voltas de Correntes envolvem o capitel das colunas. Entre os antigos, as correntes representavam o cativeiro, mas, o verdadeiro significado dessas correntes nas colunas é obscuro. Para a Maçonaria representam, por um lado, os laços que acorrentam os profanos e por outro, a união dos maçons.

O PAVIMENTO DE MOSAICO.

Estendido no centro do templo, o Pavimento Mosaico é um tapete rectangular, que evoca o quadro da loja. É representado por uma série de quadrados alternadamente brancos e pretos, que lembram o tabuleiro de xadrez, jogo de origens sagradas, e de relevantes significados simbólicos.
Os quadrados brancos e pretos simbolizam respectivamente a luz e as trevas, ou o dia e a noite, e em geral, congregam todas as dualidades cósmicas surgidas da reflexão bipolar da Unidade ou Ser Universal. Esta dualidade, é encontrada também na simbologia oriental do YIN-YANG. Onde YIN, representado pela cor preta simboliza a energia negativa, e o YANG ao contrário simboliza a energia positiva.

Segundo os orientais, a harmonia cósmica é obtida através da perfeita combinação YIN-YANG, que encontrados em todos os fenómenos da natureza, se complementam, proporcionando um perfeito equilíbrio em todas as actividades do universo. Sendo assim, a cor branca simboliza as energias activas, masculinas, é o Sol, enquanto a cor preta simboliza as energias passivas, femininas e terrestres. Ambas se complementam, e determinam em sua perfeita interacção o desenvolvimento e a própria estrutura da vida cósmica e humana. Essa estrutura, é gerada pela confluência de um eixo vertical (celeste) e outro horizontal (terrestre), que no mosaico formam uma trama quadriculada, que reflecte as tensões e equilíbrios a que está submetida a ordem da Criação. Podendo equiparar-se também ao tempo (eixo vertical) e espaço (eixo horizontal), as duas coordenadas que estabelecem a existência de nosso mundo e de todas as coisas nele incluídas. O significado do Pavimento Mosaico aplica-se perfeitamente à loja Maçónica, recinto sagrado onde cada uma das partes ou seu conjunto constituem uma síntese simbólica da harmonia universal. Comparado a mandala, o pavimento mosaico é uma imagem simbólica da Ordem, onde o iniciado tem de se integrar plenamente, conciliando todas as influências procedentes do céu e da terra, que lhes permitirão recuperar a unidade de seu ser.

A ORLA DENTADA.

Simboliza a união dos Maçons. Os dentes representam os planetas que giram no Cosmos. Cada dente tem o formato de um triângulo. O Triângulo expressa a espiritualização dos Maçons que partindo da individualidade unem-se de forma indissolúvel, em torno de um ideal. Fisicamente dentro do Templo existem 2 Orlas Dentadas: uma ao redor do Pavimento dos Mosaicos; a 2ª contorna no Ocidente o pavimento da Loja.

O ALTAR DOS JURAMENTOS.

O Altar dos Juramentos é a parte mais sagrada de uma Loja. Este Altar derivou-se do Altar dos holocaustos, construído por Moisés, sob as ordens directas de Deus. Na Maçonaria este altar que é simbólico, representa um altar de sacrifícios eis que ali o Neófito deixará, quando de seu juramento, todos os seus vícios e as suas paixões em holocaustos ao grande Arquitecto do Universo.

A posição do Altar dos Juramentos no Rito Escocês determina que seja ele colocado no eixo da Loja sobre a metade superior do Pavimento do Mosaicos, isto atendendo as considerações de ordem histórica e filosófica. O Altar dos Juramentos simboliza a Beleza do Carácter e constituindo-se no pilar principal. Há que se entender que o sistema filosófico da Maçonaria gira em torno de um ideal representado pelo Altar da Loja como fulcro de toda filosofia Maçónica. Sobre o Altar dos Juramentos encontra-se o Livro da Lei, um Esquadro com seus ramos voltados para o Oriente e um Compasso aberto com as pontas voltadas para o Ocidente e colocadas sobre o Esquadro.

Painel da Loja – Por Painel entende-se o Quadro que a Loja apresenta por ocasião da abertura dos trabalhos. Três são os quadros de uma Loja: Painel da Loja de Aprendiz; de Companheiro e de Mestre. Nos graus filosóficos normalmente não se usa a denominação Painel, mas, Emblema ou Escudo correspondente ao grau.
No Painel estão desenhados todos os símbolos maçónicos, necessários ao desenvolvimento dos trabalhos de seu respectivo grau. A sua colocação na Loja indica que continua viva toda a simbologia que orienta os trabalhos.
A colocação do Painel idealiza também, que nenhum trabalho seja iniciado sem que antes tenha havido um planeamento das actividades, ou seja, todos os participantes, ao adentrarem ao Templo e olharem para o Painel, estarão cientes do grau em que os trabalhos serão realizados. No inicio, os símbolos do grau eram desenhados, com giz, no chão, transformando o local num Templo. Posteriormente passaram a ser pintados ou bordados sobre panos ou tapetes. Em 1820, John Harris desenhou os Painéis que, salvo pequenas modificações, se encontram em uso até o presente.

TRONO DE SALOMÃO.

"Ao Trono de Salomão somente poderão estar assentados o V.: M.: e, quando for o caso, a mais Alta Autoridade Maçónica do Simbolismo presente na sessão, à direita do V.: M.: . O ex-Venerável não mais ocupa lugar no Trono de Salomão à esquerda do V.: M.: . Quando da Circ.: do Tronc.: de Benef.: e da Bolsa de Prop.: e IInf.:, o Ir.: M.: de CCer.: e o Ir.: Hosp.: deverá (sic) colher a Pr.: e o Óbolo de todos que estiverem assentados ao Trono de Salomão".
Peço vénia, apesar do respeito pelos autores, para discordar, veementemente. do texto, antes que ele influencie maçons novos e inexperientes:
Trono de Salomão só existe na cerimónia de Instalação de Veneráveis, a qual é encenada como tendo sido realizada no palácio de Salomão, onde existia, realmente, o Trono ; no templo não havia esse Trono. O assento que se encontra no Oriente, sob o dossel, no REAA, é, simplesmente, o Trono, e mais nada. Não é de Salomão e nem do Venerável.
Outra coisa: Trono é uma só cadeira. Como é que podem estar sentados no Trono (e não ao Trono), ao Altar, o Venerável e a mais alta autoridade do Simbolismo? Ocupam a mesma cadeira? E. se o ex-Venerável ainda ali tivesse assento, seriam três no mesmo lugar? Da mesma maneira, como podem, o Mestre de Cerimónias e o Hospitaleiro colher pranchas e óbolos de todos que estiverem assentados ao Trono "de Salomão", se o Trono é um lugar único?

O correto é dizer que, sentados ao Altar, ficam, o Venerável, no Trono, e a mais alta autoridade do Simbolismo, num lugar á direita do Venerável, o qual é exclusivo. Essa, inclusive, foi uma concessão do novo ritual do Grande Oriente do Brasil à vaidade de alguns maçons "notoriedades", porque, na realidade, esse lugar é privativo do Grão-Mestre, ou de seu Adjunto (Deputado Grão-Mestre), em qualquer lugar em que a Maçonaria seja praticada seriamente e não para servir a pavões. O ritual original, feito pela Grande Secretaria Geral de Orientação Ritualística, preconizava isso, mas, depois de tantas “luminares" mexerem nele, inclusive um Grão-Mestre estadual, que é do Rito Moderno, deu no que deu: ele continua deturpado, porque mexer todo mundo quer mexer, mas mexer com base, com pesquisa e com autoridade, poucos fazem e poucos podem fazer.

O SOL.

O Sol é o vitalizador essencial, possuidor de uma generosa fecundidade. Sem ele não existiríamos.
O Sol, sendo entendido como fonte de vida, passa a ser, automaticamente, a majestade, a luz principal, a fonte de todo o conhecimento e saber, o símbolo da espiritualidade, o ponto central de todas as coisas.
O Sol pode ser associado ao Irmão Orador, pois, este deve emanar a Luz como guarda da lei maçônica.
No Templo, o Sol fica no oriente, atrás do Venerável Mestre.

A LUA.

A Lua, é o reflexo do sol. Representa tanto quanto o sol, a saúde, pois, recebe e reflecte os raios do sol.
A Lua é associada ao Irmão Secretário. Tradicionalmente, o Irmão Secretário, apenas regista as palavras do Irmão Orador (Sol), daí, sua associação com a Lua que reflete, simplesmente, a luz recebida do Sol.

DELTA LUMINOSO.

O Delta Luminoso está localizado no Oriente, entre o Sol e a Lua, alteando o trono do Venerável Mestre. Simboliza a principal luz da loja, da qual saem os raios vivificadores que iluminam e aquecem todos os irmãos, em igual forma e intensidade. É o símbolo do Ser e da Vida, uma figura com 3 lados e 3 ângulos que se mostra indivisível. No centro deste triângulo equilátero encontra-se um olho humano, representando o “olho divino” simbolizando o Poder Supremo com a sua principal característica, a Omnisciência, na qualidade de principal entendimento divino que o povo traduz na frase: “Deus vê tudo...”


A CORDA DE 81 NÓS.

Corresponde a uma corda formando de distância em distância nós emblemáticos, chamados laços de amor, em número de 81 que percorrem toda parte superior dos Templos Maçónicos terminando suas extremidades diante das Colunas B e J onde pende uma borla de cada lado, indicando que os laços de fraternidade devem se estender para fora do templo.

Estão também representadas no painel do Grau de Aprendiz e indicam os laços de a união e a fraternidade que deve abranger a todos os Maçons do mundo.

A corda de 81 nós também tem relação com outros símbolos do templo, são eles : a Orla Dentada , o Pavimento Mosaico , a Cadeia de União e as Romãs, símbolos estes que relembram a todos os Maçons espalhados pela superfície do globo, que formam entre si uma única família.

SIGNOS.

Sinal, símbolo. 2.Cada uma das 12 constelações que se localizam na faixa do Zodíaco que corresponde 1/12 desta faixa da esfera celeste, tendo, assim, 30º de extensão. E cada signo está representado por uma forma e ligado a um anjo a saber:Áries/Shamael, Touro/Hanniel, Gêmeos/Raphael, Câncer/Gabriel, Leão/Mikhael, Virgem/Raphael, Libra/Hanniel, Escorpião/Shamael, Sagitário/Zadkiel, Capricórnio/Orifiel, Aquário/Orifiel, Peixes/Zadkiel.

Assim como as doze colunas da Loja indicam os doze signos do Zodíaco, dentro do corpo físico se acham doze partes, doze faculdades influenciadas por aqueles signos e repartidas em redor do sol espiritual no homem,representar um ideal mais esotérico. Semelhante ao sol colocado entre os signos, assim e o verdadeiro homem; está dentro do corpo físico, está suspenso entre duas decisões donde vai nascer seu futuro espiritual, depois de haver nascido seu ser físico. Obs.: Algumas Lojas as doze colunas são representadas pelos doze quadros dos signos.
O ano tem 12 meses; Jacob teve doze filhos; Jesus doze Apóstolos, e o homem, como contraparte de lei cósmica, tem doze faculdades de espírito em si. Durante o ano, o sol visita seus doze filhos do Zodíaco; o Sol Cristo, no homem, também vivifica durante o ano as doze faculdades representadas pelos filhos de Jacob ou apóstolos de Jesus.

CONCLUSÃO:

Todos sabemos das grandes influências exercidas por maçons, em fatos históricos em todo o mundo. No Brasil especificamente, o cidadão comum, desde que possuidor de um nível cultural razoável, sabe o quanto foi decisiva, para fatos relevantes de nossa história, a participação da maçonaria. É claro que os tempos mudaram. No entanto, ninguém pode apagar a história e estes fatos, podem se constituir na grande arma de que dispõe a maçonaria, para fortalecer o seu exército, trazendo para suas fileiras um número maior de seguidores. Homens de conduta também exemplar, preferencialmente cultos e com capacidade de desenvolver liderança e formar opinião. Já existe uma movimentação maçónica neste sentido, nas universidades. Serão os maçons do futuro, e que certamente ocuparão lugar de destaque em nossa sociedade.
Em síntese, poderíamos admitir como verdade, que a humanidade seria muito mais feliz, se todos os homens fossem maçons. Esta seria uma situação ideal, apenas teórica. Mas considerar que todos os homens gostariam de viver a prática dos princípios maçónicos é real e perfeitamente possível. Estaríamos vivendo em uma sociedade, onde o próprio homem exerceria uma permanente vigilância sobre si mesmo, sem oportunismos, egoísmos e vaidades pessoais.

quarta-feira

Sobre Cagliostro

O que se sabe sobre Cagliostro, ainda não foi possível avaliar em sua totalidade. Por algum motivo, não muito claro, ele tinha conhecimento da pedra filosofal. Não muito claro por que seu comportamento, assim como de outros iniciados, como Helena Blavatski, não era de indivíduo muito cirscunspecto, como seria de esperar, tipo Saint-Germains, ou mesmo um guru da Índia.

Em alguns momentos, parece que Cagliostro assume um comportamento por demais exemplar, cuidador da pobreza e dos desvalidos. Noutro momento, com aparência espectacular, como quando foi chamado ao parlamento francês para se explicar no caso do colar da rainha, quando Cagliostro usava um corte de cabelo de certa maneira extravagante para o comum dos franceses, sem peruca, com seus cabelos enrolados numa só trança, seu comportamento é por demais extravagante, sugerindo um estilo de difícil entendimento para o que se espera de um iniciado.

No entanto, Blavatski foi para o Velho Oeste americano dar tiros ao velho estilo do far-west; portanto, não muito diferente. Talvez a importância de Cagliostro seja essa mesmo: mostrar que o que chamamos de iniciados são pessoas comuns, iguais a nós, mas que, por algum motivo, chegaram a uma compreensão melhor do universo. No entanto, seu comportamento de cuidador demonstrava que conhecia a pedra filosofal. A sua tentativa de mostrar as verdadeiras origens do cristianismo para a igreja católica, foi profética tanto quanto foi sua profecia sobre a Bastilha.

Para Cagliostro, as origens da verdadeira religião estavam fundamentadas na Escada de Jacob, que, por sua vez, estava relacionadas à Zoroastro ou, quem sabe, até antes, não importa. Para quem está interessado em pensar a essência da religião judaico-cristã, a hierarquia dos céus, através da compreensão dos anjos, explicava o universo que está acima de nós. Essa foi a grande contribuição de Cagliostro para o conhecimento do mundo, fruto de sua iluminação. Foi um homem como nós que teve uma visão do mundo, como outros tantos tiveram, mesmo que anónimos. Mas tem mais.

claudio-boucinha

sábado

A 'Capela Sistina do Antigo Egipto'

Arqueologia. Novos achados em Luxor

Descoberta raridade: um túmulo totalmente pintado e decorado

Chamam-lhe já a "Capela Sistina do Antigo Egipto". Uma equipa hispano-egípcia, liderada por José Manuel Galán, encontrou em Luxor, na margem do Nilo, uma câmara funerária pintada há 3500 anos, anunciou o Conselho Superior de Investigações Científicas de Espanha.

O túmulo, que faz parte da necrópole de Dra Abu el-Naga, tem as paredes e o tecto completamente pintados com desenhos e hieróglifos do Livro dos Mortos e seria de Djehuty, que foi um escriba real, supervisor do tesouro e dos trabalhos dos artesãos do rei sob as ordens de Hatshepsut, uma das poucas mulheres que foram faraós, filha de Tutmosis I (18.ª dinastia), cujo reinado durou de 1479 a 1457 antes de Cristo.

"Este é o sonho de qualquer egiptólogo", disse José Manuel Galán, citado pelo El Mundo. "Para além do indubitável valor estético, é importante porque nesta época não se decoravam as câmara funerárias. Só se conhecem outras quatro câmaras assim", explicou durante a apresentação da descoberta à imprensa. "O facto de Djehuty ter decidido pintar o seu túmulo coloca-o entre as figuras mais importantes e influentes da época", explica Galán, o director da equipa que, desde 2004, está a trabalhar em Luxor (antiga Tebas).

O túmulo, uma sala quadrada de 3,5 metros de largura e 1,5 metros de altura, terá sido uma dos primeiros a ser completamente decorado com pinturas, dizem os inves-tigadores. A equi- pa encontrou ainda uma entrada para uma outra divisão onde se encontrava um par de brincos de ouro que, provavelmente, pertencia a Djehuty ou a algum dos seus familiares. "Nesta época, os homens importantes da corte adoptaram o costume de se adornar com brincos, moda que pouco depois seria também adoptada pelos próprios faraós", explicou o egiptólogo.

Galán esclareceu ainda que as duas paredes que restam do túmulo estão cobertas com passagens do Livro dos Mortos, enquanto no tecto está pintada uma imagem da deusa do céu, Nut, que aparece com os braços abertos para abraçar o corpo do defunto, protegendo-o nesta sua nova existência.

A equipa de arqueólogos vai continuar a trabalhar nesta área e espera fazer mais descobertas valiosas. "Mas de nada serve encontrar vestígios desta importância se depois os abandonamos à sua sorte", disse José Manuel Galán. Por isso, a próxima campanha de escavações desta mesma equipa internacional dedicar-se--á, fundamentalmente, à preservação dos vestígios arqueológicos de Luxor. M. J. C., com agências

terça-feira

Olho de Horus

Conhecido como Olho de Horus, era a união do olho humano e da crista de falcão associado a Horus. Segundo a lenda de Osíris, na sua vingança, Seth arrancou o olho esquerdo de Horus que foi substituído por este amuleto. Depois da sua recuperação, Horus pode organizar novos combates que o levaram à vitória decisiva sobre Seth. Olho de Horus era em ouro, cromado em cores azul e verde e com pedras preciosas.

Normalmente é o olho direito que se representa ainda que possa aparecer algumas vezes o esquerdo. Alguns autores afirmam que esta representação se deve à teoria segundo a qual o olho direito representa o sol e o esquerdo a lua, ambos olhos do céu. O sol é mais poderoso que a lua e portanto a imagem do olho direito tem mais poder que a do esquerdo.

(Original)

sexta-feira

Papiro de ANI, Livro dos Mortos

The Egyptian Book of the Dead
1240 BC
The Papyrus of Ani
Parts Translated by E.A. Wallis Budge and Allen and Faulkner

(Clicar nas figuras)

http://www.touregypt.net/featurestories/hellh4.jpg

http://www.bardo.org/ani/images/isis.jpg

domingo

O Beijo da Paz

Texto encontrado por e por ali

Os historiadores não sabem muito sobre a história inicial do beijo. Quatro textos em Sânscrito Védico, escritos na Índia por volta de 1500 a.C., parecem descrever pessoas se beijando. Isso não significa que ninguém tenha se beijado antes, nem que os indianos tenham sido os primeiros a se beijar. Os artistas e escritores podem ter considerado o beijo particular demais para ser descrito na arte ou literatura.

Após sua primeira menção por escrito, o beijo não apareceu muito na arte ou na literatura por algumas centenas de anos. O poema épico indiano "Mahabharata" descreve o beijo nos lábios como um sinal de afeto. O "Mahabharata" foi transmitido oralmente por milhares de anos antes de ser escrito e padronizado, em torno de 350 d.C. O texto religioso indiano "Vatsyayana Kamasutram", ou o "Kama Sutra", também descreve uma variedade de beijos. Ele foi escrito no século VI d.C. Os antropólogos que acreditam que o beijo é um comportamento aprendido afirmam que os gregos souberam sobre ele quando Alexandre, o Grande, invadiu a Índia em 326 a.C.

Não há muitos registos sobre os beijos no mundo ocidental até a época do Império Romano. Os romanos costumavam usar o beijo para cumprimentar amigos e familiares. Os cidadãos beijavam a mão do Imperador e, naturalmente, as pessoas beijavam seus parceiros. Os romanos tinham três categorias para o beijo:
*osculum era um beijo na bochecha
*basium era um beijo nos lábios
*savolium era um beijo profundo

Os romanos também iniciaram várias tradições relacionadas ao beijo que perduram até hoje. Na Roma antiga, os casais ficavam noivos beijando-se apaixonadamente na frente de um grupo de pessoas. Essa é, provavelmente, uma das razões pelas quais os casais modernos se beijam ao final de cerimónias de casamento. Além disso, embora a maioria das pessoas pense que somente cartas de amor são "seladas com um beijo", os beijos foram utilizados para selar contratos jurídicos e comerciais. Os antigos romanos também costumavam beijar como parte de suas campanhas políticas. No entanto, vários escândalos de "beijos por votos" na Inglaterra do século XVIII levaram, teoricamente, os candidatos a beijar somente jovens e idosos.

O beijo também teve sua função nos primórdios da Igreja Cristã. Os cristãos com frequência se cumprimentavam com um osculum pacis, ou beijo sagrado. De acordo com essa tradição, o beijo sagrado causava uma transferência de espírito entre as duas pessoas que se beijavam. A maioria dos pesquisadores acredita que o objectivo desse beijo era estabelecer vínculos familiares entre os membros da igreja e fortalecer a comunidade.

Até 1528, o beijo sagrado era parte da missa católica. No século XIII, a Igreja Católica o substituiu por um cumprimento de paz. A Reforma Protestante no século XVI removeu totalmente o beijo da prática protestante. Na verdade, o beijo sagrado não exercia uma função na prática católica religiosa moderna, embora alguns cristãos beijem símbolos religiosos, como o anel do Papa, por exemplo.
Embora actualmente, poucos religiosos incorporem o beijo sagrado, o beijo ainda prevalece na cultura ocidental. Hoje em dia, as pessoas se beijam em várias situações por motivos diversos.

Mas nem todos os beijos são felizes. Obras da literatura como "Romeu e Julieta" descreveram beijos como "perigosos" ou "mortais" quando compartilhado com as pessoas erradas. Alguns estudiosos do folclore e críticos literários vêem o vampirismo como um símbolo dos perigos físicos e emocionais decorrentes de se beijar a pessoa errada.
Actualmente, a maioria das culturas em todo o mundo pratica o beijo, mas possui diferentes opiniões sobre quando e onde o beijo é apropriado. Nos anos 90, vários artigos nos media relatavam uma tendência entre os jovens de beijar em público no Japão, um país onde o beijo tradicionalmente era visto como uma actividade privada.

terça-feira

Flor da Vida/Flower of Life


A “Flor da Vida” é uma representação geométrica, composta de múltiplos círculos sobrepostos organizados em forma de um padrão em “Flor” aliada a um sistema de crenças, e pode ser encontrada, por exemplo, nas religiões mais significativas do mundo. Estes padrões geométricos/matemáticos são percepcionados como sagrados pois ao serem contemplados é como se contemplássemos a origem de todas as coisas. Estudando a natureza destas formas e suas interligações somos conduzidos à compreensão intuitiva (na perspectiva científica, filosófica, psicológica, estética, mística) das leis do universo.

Esta estrutura forma as bases da música (a distância entre as esferas é igual aos tons e meios tons na música). Estes padrões também são idênticos à terceira divisão embrionária (na primeira a célula divide-se em duas, depois em quatro e, seguidamente, oito.

Esta mesma estrutura, na continuação desenvolve-se até à criação do corpo humano e todas as suas estruturas energéticas. Esta representação tem cerca de seis mil anos (ex: templo de Osiris em Abydos, Egipto) e ao longo da história filósofos, artistas e arquitectos por todo o mundo reconhecem-lhe uma perfeição de forma, proporção e harmonia.

É considerada por muitos como o símbolo da sagrada geometria, dizendo-se que contém valor antigo, religioso representando as formas elementares do espaço e tempo. Neste sentido é a visão a expressão visual da vida entretecida entre toda a humanidade contendo, segundo alguns, uma espécie do/de “Registo Akashic” da informação relativa a todas as formas de vida…Outro exemplo daquilo que pode derivar da “Flor da vida” é a “Árvore da Vida”, no que concerne à Kabala… Ou ainda uma representação dos sete dias da criação, na qual Deus criou a Vida, Génesis 2:2-3, Êxodo 23:12, 31:16-17, Isaias 56:6-8, ou também os anéis de “Borromean” que representam a santíssima trindade. A “Flor da Vida” é um dos mais antigos símbolos e tem tido uma importante significação simbólica através dos tempos sendo encontrado em templos, arte, manuscritos, em culturas em todo o mundo…

http://elementy.ru/images/news/borromean_rings_300.jpg


Links de interesse:

Site 1, Site 2, site 3


domingo

Kybalion, a busca da Gnose

"Os lábios da Sabedoria estão fechados,
excepto para os ouvidos do Entendimento"
in Kybalion

O Hermetismo é um conjunto de crenças filosóficas e religiosas com milhares de anos, cuja autoria se atribui a Hermes Trismegistus (Hermes “Três Vezes Grande”). Esta é uma personagem envolta em mistério, cuja existência real ou mitológica ainda hoje não foi esclarecida. Pensa-se que terá sido uma figura introduzida na mitologia grega como resultado da “fusão” de duas divindades: o grego Hermes e o egípcio Toth. Esta união de entidades divinas teria surgido da necessidade de juntar as capacidades comunicativas do Deus Hermes à sabedoria do Deus Toth, originando uma divindade que reunia em si todo o conhecimento astrológico e alquímico.

Na tradição grega, e mais tarde também na romana, Hermes Trimegistus permaneceu uma figura independente de Hermes, o mensageiro dos Deuses. Cícero refere vários indivíduos com o nome de Hermes:

“O quinto, […], diz-se que matou Argos, e por isso fugiu para o Egipto, tendo oferecido a esse povo as suas leis e alfabeto. É ele a quem os Egípcios chamam Theyn [Toth]”

Cicero in De natura deorum III, 22, 56

O mitógrafo Euhemerus descreveu Hermes Trimegistus como sendo o filho do Deus, e na tradição cabalista esta figura terá sido contemporânea de Moisés, pregando a sua sabedoria e um grupo de seguidores.

A literatura hermética reuniu as práticas egípcias de conjuração de espíritos e animação de estátuas aos escritos astrológicos greco-babilónicos, e à recém-criada Alquimia. Paralelamente, a filosofia hermética racionalizou e sistematizou a prática religiosa, oferecendo aos seus adeptos um método de ascensão pessoal capaz de proporcionar evasão às restrições do ser físico.

Enquanto fonte divina de conhecimento, foram atribuídos a Hermes Trismegistus dezenas de milhares de obras, tidas por serem muitíssimo antigas. Platão refere que no templo de Neith existiam corredores secretos contendo registos históricos de há 9000 anos. Clemente de Alexandria acreditava que os Egípcios possuíam 42 livros sagrados de Hermes, onde estavam reunidos todos os ensinamentos utilizados na preparação dos sacerdotes egípcios. (ler original aqui)



"O Kybalion", obra de Filosofia Hermética, é um texto de 1912
que tem a pretensão de reclamar ser a essência dos ensinamentos de Hermes Trimegisto, tendo sido publicado anonimamente (por pessoa ou grupo) sob o pseudónimo "Os três iniciados".

Esta obra pretende, então, ser uma colectânea do pensamento Hermético de tradição egípcia, grega e, por fim, romana, uma busca das leis misteriosas do absoluto (Sete leis do Kybalion) princípios (=arcanos= o que é misteriosos e está guardado, vedado ao olhar imediato mas alcançável) da Gnose (=conhecimento).

A primeira lei é a de que tudo é espírito sendo este a única e verdadeira realidade imutável com poder de, através dos nossos sentidos, conhecer o mundo físico mutável... Daqui deriva que: Tudo o que está em cima é análogo ao que está em baixo... Esta lei permite partir do conhecido para o desconhecido (pelo princípio lógico/inferência da analogia)... Foi esta lei que fez Pitágoras dizer aos seus discípulos:
conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo.

Esta obra está associada ao movimento moderno do "Novo Pensamento" desenvolvido nos Estados Unidos desde o Séc. XIX, que desembocou em teorias tais como: pensamento positivo, lei da atracção, visualização creativa, etc.

quarta-feira

«Segredos do Egipto» recria rosto de Cleópatra


A egiptóloga Sally Ann Ashton, da Universidade de Cambridge, recriou as feições do rosto da rainha Cleópatra para a série de documentários «Segredos do Egipto», sobre a civilização do antigo Egipto.

A arqueóloga terá recorrido a imagens gravadas em artefactos antigos – como um anel que data do seu reinado, há cerca de dois mil anos –, e durante um ano compôs o rosto, usando o computador para obter o resultado em três dimensões.

O produto final desta pesquisa revela uma cara de etnia mista, salientando os traços egípcios característicos e a sua herança grega.

Este trabalho será conhecido no documentário «Cleópatra», integrado na série «Segredos do Egipto», será emitida no britânico Channel Five.

No ano passado foi realizado um estudo por especialistas de Universidade de Newcastle, na Grã-Bretanha, que sugeriu que tanto a rainha como o seu amante, Marco António, eram feios. A conclusão terá surgido após a análise de uma moeda de prata com dois mil anos, que salientava na rainha o queixo e o nariz pontiagudos e os lábios finos.

sexta-feira

Conjunto de Videos sobre O olho de Horus

Clicar aqui para aceder aos vídeos

sábado

Templo de Salomão



Descoberto vestígio do primeiro Templo de Salomão em Jerusalém
2003-01-14 22:04:31
A agência Lusa revela que “uma placa de pedra negra contendo uma inscrição fenícia atribuída ao rei judeu Jehoash, que reinou em Jerusalém no fim do século IX a.c., foi autenticada por peritos”, citando a edição de 13 de Janeiro do jornal israelita Haaretz.

Segundo o jornal, esta inscrição de dez linhas escrita na primeira pessoa dá conta de "reparações ordenadas no Templo" de Salomão pelo rei Jehoash e assemelha-se muito a uma passagem do II Livro dos Reis da Bíblia (capítulo 12).
O fragmento foi aparentemente descoberto durante importantes trabalhos de escavação efectuados pelos muçulmanos nos últimos anos no Monte do Templo de Jerusalém, o local mais sagrado do judaísmo.
Ainda segundo o diário Haaretz, este fragmento foi autenticado por especialistas de um instituto de pesquisas especializado do Ministério das Infra-estruturas Nacionais.
"Se esta verificação for confirmada, trata-se de uma matéria da maior importância, que poderá ser a maior descoberta arqueológica efectuada em Jerusalém e Israel", afirmou M. Gabriel Barkai, considerado uma sumidade entre os arqueólogos israelitas.

sexta-feira

Alquimia e Psicologia

Unus Mundus

Jung costuma ser severamente criticado pelos alquimistas tradicionais, como Eugene Canseliet, Titus Burckhardt ou Julius Évola, por causa de sua hipótese de que os alquimistas projetavam sobre a matéria os conteúdos de seu inconsciente. Alchemy_2É essa hipótese, apresentada em Psicologia e Alquimia, que justifica a utilização que Jung faz do simbolismo alquímico para elucidar os sonhos e fantasias de seus pacientes. Reciprocamente, é ela também que serve de base para a interpretação dos textos alquímicos nos termos da psicologia analítica. O que os alquimistas não gostam nessa visão é que ela pressupõe uma ingenuidade por parte do alquimista que, sem saber o que estava fazendo, exteriorizaria o desconhecido em si mesmo (a psique inconsciente) sobre o desconhecido no mundo (a estrutura da matéria).

A objeção de um Canseliet ou um Évola é que os alquimistas sabiam muito bem o que estavam fazendo. Khunrathprayingalchemist Com exceção dos sopradores, que é como os alquimistas conhecem os enxeridos que se metem no laboratório sem nenhum conhecimento concreto e se metem a experimentar a torto e a direito, frequentemente com resultados desastrosos, os filósofos herméticos sempre tiveram plena consciência da dimensão espiritual do opus. O que lhes permitia agir sobre as substâncias materiais a fim de transformar sua psique era a premissa de que existe uma unidade fundamental entre psique e matéria e, consequentemente, uma correspondência entre os elementos físicos e a natureza psicofisiológica do ser humano.

É uma crítica pertinente. Qualquer um que se debruçar sobre a literatura alquímica terá a impressão de que os alquimistas podem ser tudo - maliciosos, sutis, enganadores - menos ingênuos. Ao mesmo tempo, curiosamente, é uma crítica que erra o alvo, porque trai um conhecimento superficial da psicologia junguiana.

Esse desconhecimento é compreensível. Jung não é um autor fácil. Seu estilo denso, carregado de alusões e referências, que servem para fundamentar um raciocínio tortuoso, não-linear, transforma os textos junguianos em um labirinto quase tão impenetrável quanto os livros de Fulcanelli, uma selva repleta de armadilhas nas quais, não raro, os próprios junguianos mergulham de cabeça, levados pelo afã de sistematizar um pensamento não-sistemático. Seria pedir muito que, além do trabalho de decifrar as obscuras parábolas de um Irineu Filaleto ou um Basílio Valentim, o estudioso de alquimia também se dedicasse a elucidar os meandros da teoria junguiana. Se o fizesse, porém, perceberia que a visão que Jung tinha da alquimia está bem mais próxima da alquimia tradicional do que parece à primeira vista.

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História da Alquimia

Este é um artigo sobre Evolução Histórica da Alquimia. Aproveite também para conhecer alguns produtos relacionados ao caminho da mão esquerda.

A origem da alquimia se perde no tempo, sendo mais antiga do que a história da humanidade. Seu verdadeiro início é desconhecido e envolto em obscuridade e mistério. Assim, seu surgimento confunde-se com a origem e evolução do homem sobre a Terra.

A utilização e o controle do fogo separou o animal irracional do ser humano. Nos primórdios, não se produzia o fogo, porém ele era controlado e utilizado para aquecer, iluminar, assar alimentos, além de servir para manejar alguns materiais, como a madeira. Bem mais tarde conseguiu-se produzir e manufaturar materiais com metal, a partir de metais encontrados na forma livre e posteriormente partindo dos minérios.

Muitos associam a origem da alquimia a herança de conhecimentos de uma antiga civilização que teria sido extinta. Na Terra, já teriam existido inúmeras outras civilizações em diversas épocas remotas, dentre elas várias eram mais evoluídas que a nossa. Estas civilizações tiveram uma existência cíclica, com o nascimento, desenvolvimento e morte ocorrida provavelmente por meio de grandes catástrofes, como a queda de um grande meteoro, inundações, erupções vulcânicas, dentre outras que acabavam por reduzir grandes civilizações a um número ínfimo de sobreviventes ou mesmo por dizimá-las, fazendo com que uma nova civilização brotasse das cinzas. Os conhecimentos sobre a alquimia estariam impregnados no inconsciente coletivo de todas as civilizações até hoje ou poderiam ter sido transmitidos pelos poucos sobreviventes, desta maneira a alquimia teria resistido ao tempo.

Os textos chineses antigos se referem as "ilhas dos bem aventurados" que eram habitadas por imortais. Acreditava-se que ervas contidas nestas três ilhas após sofrerem um preparo poderiam produzir a juventude eterna, seria como o elixir da longa vida da alquimia.

No ocidente, o Egito é considerado o criador da alquimia. O próprio nome é de origem árabe (Al corresponde ao artigo o), com raiz grega (elkimyâ). Kimyâ deriva de Khen (ou chem), que significa "o país negro", nome dado ao Egito na antigüidade. Outros acham que se relaciona ao vocábulo grego derivado de chyma, que se relaciona com a fundição de metais.

Os alquimistas relacionam a sua origem ao deus egípcio Tote, que os gregos chamavam de Hermes (Hermes Trimegisto). Alguns alquimistas o considerava como um rei antigo que realmente teria existido, sendo o primeiro sábio e inventor das ciências e do alfabeto. Por causa de Hermes a alquimia também ficou conhecida como arte hermética ou ciência hermética.

Os relatos mais remotos de doutrinas que utilizavam os preceitos alquímicos, remontam de uma lenda que menciona o seu uso pelos chineses em 4.500 a.C. Ao que parece ela teria aflorado do taoísmo clássico (Tao Chia) e do taoísmo popular, religioso e mágico (Tao Chiao). Porém os textos alquímicos começaram a surgir na dinastia T'ang, por volta de 600 a.C. Na China, o mais famoso alquimista foi Ko Hung (cujo nome verdadeiro era Pao Pu-tzu, viveu de 249-330 d.C.) que acreditava que com a alquimia poderia superar a mortalidade. Atribui-se a ele a autoria de mais de cem livros sobre o assunto, dos quais o mais famoso é "O Mestre que Preserva sua Simplicidade Primitiva".

Teria aprendido a alquimia por volta de 220 d.C com Tso Tzu. O tratado de Ko Hung, além da alquimia trata também da ciência da alma e das ciências naturais. Sua obra trata tanto do elixir da longa vida bem como da transmutação dos metais. Até então a alquimia chinesa era puramente espiritual e foi Ko Hung que introduziu o materialismo, provavelmente devido a influências externas. Ela foi influenciada também pelo I Ching "O livro das Mutações". Posteriormente seguiu a escola dos cinco elementos, que mesmo assim permaneceu quase que completamente mental-espiritual.

Na China a alquimia também ficou vinculada à preparação artificial do cinábrio (minério do qual se extraía o mercúrio - sulfeto de mercúrio), que era considerado uma substância talismânica associada a manutenção da saúde e a imortalidade. A metalurgia, principalmente o ato da fundição, era um trabalho que deveria ser realizado por homens puros conhecedores dos ritos e do ofício. A transformação espiritual era simbolizada pelo "novo nascimento", associada a obtenção do metal a partir do minério (cinábrio e mercúrio).

A filosofia hindu de 1000 a.C. apresentava algumas semelhanças com a alquimia chinesa, como por exemplo o soma cujo conceito assemelhava-se ao do elixir da longa vida. No Egito a alquimia teria surgido no século III d.C. e demonstrava uma influência do sistema filosófico-religioso da época helenística misturando conhecimentos médicos com metalúrgicos. A cidade de Alexandria era o reduto dos alquimistas. O alquimista grego mais famoso foi Zózimo (século IV), que nasceu em Panópolis e viveu em Alexandria, escreveu uma grande quantidade de obras. Nesta época, várias mulheres dedicavam-se a alquimia, como por exemplo Maria, a judia, que inventou o um banho térmico com água muito utilizado nos laboratórios atualmente, o "banho-maria", Kleopatra que possivelmente não seria a Rainha Cleópatra, Copta e Teosébia. Os persas conheciam a medicina, magia e alquimia. A alquimia possuía um pouco da imagem da população de Alexandria, era uma mistura das práticas helenísticas, caldaicas, egípcias e judaicas.

Alexandre "o Grande" foi quem teria disseminado a alquimia durante suas conquistas aos povos Bizantinos e posteriormente aos Árabes. Os árabes, sob a influência dos egípcios e chineses, trouxeram a alquimia para o ocidente ao redor do ano de 950, inicialmente para a Espanha. Construíram-se escolas e bibliotecas que atraiam inúmeros estudiosos. Conta-se que o primeiro europeu a conhecer a alquimia foi o teólogo e matemático monge Gerbert que mais tarde tornou-se papa, no período de 999/1003, com o nome de Silvestre II. Na Itália Miguel Scott, astrólogo, escreveu uma obra intitulada De Secretis em que a alquimia estava constantemente presente. No século X, a alquimia chinesa renunciou a preparação de ouro e se concentrou mais na parte espiritual. Ao invés de fazerem operações alquímicas com metais, a maioria dos alquimistas realizavam experimentos diretamente sobre seu corpo e espírito. Esta retomada a uma ciência espiritual teve como ponto culminante no século XIII com o taoísmo budaizante, com as práticas da escola Zen.

A alquimia deixou muitas contribuições para a química, como subproduto de seus estudos, dentre eles podemos citar: a pólvora, a porcelana, vários ácidos (ácido sulfúrico), gases (cloro), metais (antimônio), técnicas físico-químicas (destilação, precipitação e sublimação), além de vários equipamentos de laboratório. Na China produzia-se alumínio no século II e a electricidade era conhecida pelos alquimistas de Bagdá desde o século II a.C.

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segunda-feira

A Maçonaria nas Jornadas Históricas

Cerca de 250 pessoas assistiram às Jornadas Históricas, promovidas pelo Arquivo Municipal de Seia, que este ano estiveram subordinadas ao tema “Maçonaria, Sociedade e Politica: uma visão histórica". A 11ª edição decorreu nos passados dias 14 e 15 de Novembro, no Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE).

A conferência foi coordenada por Fernando Catroga, professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, e contou com a presença de várias personalidades, nomeadamente: António Lopes (director do Museu Maçónico Gol), Salvato Telles Menezes (administrador delegado da Fundação D.Luis I), Frei Bento Domingues (Instituto São Tomás de Aquino), Maria Belo (ex Professora da Universidade Nova de Lisboa), Alfredo Caldeira (Fundação Mário Soares), António Ventura (Universidade de Lisboa), Joaquim Gomes Canotinho (Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra), destacando-se ainda os Grão-mestres António Reis, Feliciana Ferreira e Martim Guia.

http://www.cm-seia.pt/images/stories/Eventos/painel_jornadas_site.jpg

Nesta edição foram debatidos temas como as origens da maçonaria, as suas lendas e a realidade, apresentado por Salvato Teles de Menezes, o caso de Portugal, por António Lopes, as consequências políticas da acção da maçonaria feminina, por Maria Belo, a maçonaria politica no séc. XIX / XX, por Fernando Catroga e Alfredo Caldeira discursou sobre a maçonaria durante a Ditadura e o Estado-Novo. No que concerne aos Grão-mestres Feliciana Ferreira falou sobre lado feminino, António Reis apresentou a Maçonaria do Grande Oriente Lusitano e Martim Guia referiu-se à Maçonaria Regular.

No segundo dia do evento estiveram em discussão a questão religiosa, apresentada por Frei Bento Domingues, os direitos humanos numa intervenção de Joaquim Gomes Canotilho e António Ventura fez uma dissertação sobre o caso de Seia. Aqui presume-se que tenham existido dois Triângulos, um instalado em 1911, com término em 1914, e outro em 1931. Há ainda referências de alguns maçons naturais de Seia, sendo o Doutor Afonso Costa o mais conhecido, tendo sido indigitado pouco antes da sua morte a desempenhar o cargo de Grão-mestre da maçonaria Portuguesa.

No âmbito do programa esteve ainda patente no CISE uma exposição com objectos do Museu Maçónico e um Templo Maçónico. No que toca a animação musical, decorreu na Casa Municipal da Cultura, no primeiro dia do evento, o concerto “Flauta Mágica de Mozart”, pela Orquestra do Norte.


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terça-feira

Entrevista do Grão Mestre Mundial da Ordem Mundial do Rito Antigo e Primitivo Memphis Misraim


Willy Raemakers, ao Jornal, Le Mauricien, em 14/11/08. http://www.lemauricien.com/weekend/index.html















Willy Raemakers, Grand Maître Mondial :


" On ne naît pas franc-maçon, on le devient."

Je vous propose, ce dimanche, de mettre de côté pour un long moment les déclarations, annonces, dénonciations et provocations politiques et les soubresauts de la crise économique, qui n'en finit pas de s'étendre. A la place je vous propose de faire la connaissance de Willy Raemakers, Grand Maître Mondial de l'obédience mondiale maçonnique Memphis-Misraïm. L'interview que je vous propose a été réalisée la semaine dernière lors du passage du Grand Maître à Maurice dans le cadre d'une visite à la loge locale Memphis-Misraïm.


Selon les documents qui m'ont été envoyés vous êtes depuis mai 2006 le Grand Maître Mondial au 99e degré, Très Puissant Souverain Grand Commandeur et Grand Hiérophante du Rite Memphis-Misraïm. Quel est le titre que je dois utiliser pour vous désigner, Willy Raemakers ?

Tout simplement monsieur puisque nous sommes deux individus, deux hommes en face l'un de l'autre. Et puisque les titres que vous avez mentionnés ne sont utilisés que dans le cadre de mes fonctions de Grand Maître au sein de la loge Memphis-Misraïm.

Ces titres sont-ils obligatoires dans le cadre des réunions de Memphis Misraïm ?

Oui, puisqu'ils s'attachent à la dignité de la fonction et à la perpétuation des rites.

Vous avez atteint le plus haut degré de la hiérarchie de Memphis-Misraim, le 99e. Comment fait-on pour atteindre ce sommet ?

Par le travail. En ce qui me concerne cela fait longtemps que je ne crois plus au hasard. Je suis entré dans la franc-maçonnerie en 1983 et depuis j'ai gravi les échelons en m'élevant au fur et à mesure dans les degrés. Notre ordre international a cette particularité que le Grand Maître Mondial en titre désigne pendant qu'il est en exercice son successeur.

Quelle est la durée du mandat d'un Grand Maître Mondial ?

Ce mandat est d'une durée indéterminée…

… fixée par qui ?

Nous avons des conditions à remplir pour pouvoir accéder à la fonction de Grand Maître Mondial. C'est lui qui décide du moment de son départ. Je me situe dans une lignée de filiation initiatique dont le point de départ est un certain Robert Ambelain, notre premier grand Maître international. Il a occupé ces fonctions de 1969 à 1985, année au cours de laquelle il a décidé de désigner son successeur qui a exercé cette fonction jusqu'en 1998 où il a désigné mon prédécesseur, qui lui-même m'a désigné en mai 2006. Le nom et la personne de son successeur sont révélés à un Grand Maître Mondial par des voies que nous appelons ésotériques.

Le Grand Maître Mondial est donc choisi par son prédécesseur sans qu'il doive remplir des conditions ou passer des épreuves ?

Exactement.

Au Tibet on désigne le futur Dalaï Lama alors qu'il est encore un enfant. Dans votre obédience le futur Grand Maître Mondial est désigné à l'âge adulte.

C'est exact. Vous avez utilisé obédience, un mot qui prête souvent à confusion et dont je m'efforce toujours de donner la bonne définition. Je ne suis pas à la tête d'une obédience, mais d'un ordre international. Je préside une institution qui gouverne cet ordre international.

Quelle est la différence entre l'ordre que vous présidez et les autres organisations maçonniques ?

Permettez-moi d'user d'une métaphore pour mieux me faire comprendre. Je pense que notre organisation a, tout comme le corps humain, trois éléments constitutifs : l'âme, le corps et l'esprit. Dans ma conception des choses l'ordre de Memphis-Israïm est l'âme qui s'incarne dans les pays où il est présent dans une obédience, c'est-à-dire une structure administrative qui est de l'ordre du corporel, qui comme tout ce qui est humain est perfectible. Dans le cas de nos obédiences l'âme ne peut se manifester qu'à travers la pratique de certains rites maçonniques, c'est-à-dire un certain nombre de textes. Les autres obédiences n'ont pas la même structure que nous puisqu'elles ne régissent que les trois premiers degrés de la maçonnerie tandis que nous allons jusqu'au 99e degré.

En quelque sorte vous continuez là ou les autres obédiences s'arrêtent. Comment expliquer cette situation particulière qui fait de votre ordre une obédience à part dans le monde de la franc-maçonnerie ?

Nous devons cette particularité au créateur de notre ordre Robert Ambelain, un très grand personnage de la maçonnerie, qui a estimé que dans un ordre qui se veut spiritualiste et déiste il fallait une organisation hiérarchisée avec des degrés regroupés en trois catégories - symbolique, philosophique et hermétique - allant de un à 99 degrés. C'est en cela que nous nous différencions des autres obédiences maçonniques classiques. Nous sommes le véhicule d'un courant ésotérique ininterrompu.

En d'autres mots vous faites partie de la toute première organisation maçonnique, vous êtes les héritiers de la vraie tradition ?

Je n'ai pas dit ça. Nous sommes les héritiers d'une tradition qui remonte à l'Egypte, donc à la nuit des temps. La maçonnerie que l'on appelle spéculative a pris naissance au 18e siècle et quand les premières loges ont été constituées le référentiel a été le temple de Salomon, c'est-à-dire la Bible. Un autre cadre de référence que la nôtre.

L'ordre de Memphis-Israïm entretient-il de bonnes relations avec les autres obédiences ?

De notre point de vue il nous semble que l'esprit maçonnique doit nous dicter d'accueillir dans nos temples les frères et les sœurs d'autres obédiences sans conditions préalables et sans contreparties, dans le sens premier du mot fraternité. Ce qui n'est pas réciproque de la part des autres obédiences.

A quoi cela est-il dû ?

A mon sens au fait qu'ils s'identifient à des structures que je qualifie, moi, d'administratives. Structures qui estiment que les relations entre obédiences ne peuvent exister que dans le cadre de relations officielles.

Est-ce que, pardonnez-moi l'expression, ces querelles de clocher entre obédiences ne sont pas ridicules au sein d'organisations dont un des maître-mots est fraternité ?

Je trouve dommage l'existence de ces barrières administratives. Parce qu'au-delà des différences en termes de rites et de cérémonies il y a des liens très forts qui nous unissent, dont la cérémonie d'initiation. Je pense que nous devrions avoir des relations fraternelles en faisant abstraction des barrières.

Combien de membres compte votre ordre international ?

L'ordre international Memphis-Israïm est une association d'obédiences nationales. Nous sommes présents au Canada, au Chili, en Belgique, en France, en Suisse, au Portugal dans des pays d'Afrique à Madagascar et à Maurice. Au niveau mondial nous devons avoir un peu plus de 500 membres.

Comparé aux autres obédiences vous êtes un tout petit ordre. Est-ce que le nombre restreint de vos membres indique que vous êtes une organisation élitiste ?

Nous voulons d'un rite pratiquant une forme particulière de spiritualité mettant plus l'accent sur l'amélioration de l'homme que sur celui de la société comme objectif direct de l'initiation. Selon moi, la franc-maçonnerie ne doit pas préparer un monde meilleur, mais rendre meilleurs ses membres. Car la société est constituée d'hommes et qu'on ne peut la changer que si les hommes qui en font partie prennent conscience de leurs responsabilités vis-à-vis de cette société de manière individuelle. Nous ne voulons pas nous noyer dans l'anonymat de la société en général. Je pense que comme initié notre devoir est de rayonner dans les différentes sphères dans lesquelles nous évoluons, d'abord dans le cercle familial, ensuite le cercle professionnel. Si cette somme d'individus atteint un degré de conscience suffisant ils pourront, je pense, induire des changements.

Pour le moment vous êtes surtout concernés par l'amélioration de l'individu. Revenons à votre désignation comme Grande Maître Mondial. Je vous dis séance tenante que je suis surpris par cette désignation laissée à la discrétion du Grand Maître en exercice qui, comparée à une élection, ne semble pas très démocratique.

Quand le Grand Maître en exercice estime que le moment est venu pour lui de désigner un successeur il demande, dans le cadre d'un système de cooptation, qu'un candidat soit proposé à l'instance suprême de direction de Memphis-Misraïm

Quelles doivent être les qualités du candidat ?

C'est une question difficile à répondre. Il est extrêmement difficile de mettre en mots cette réponse mais il faut déjà savoir que le candidat ne peut être désigné que parmi ceux qui font partie d'une instance dont les membres ont tous atteint le 95e degré dans la hiérarchie de notre ordre. Il y a probablement dans la désignation un élément qualitatif et un engagement très fort dans la recherche spirituelle. Pour le reste, nous sommes déistes et nous disons que si une personne doit être désignée elle le sera et il y aura convergence entre les points sur sa personne, ce qui est arrivé dans mon cas.

Est-ce qu'il peut avoir divergences sur le candidat proposé.

C'est tout à fait possible, mais ça n'a pas été le cas pour ma nomination. J'ai demandé qu'il y ait unanimité sur ma personne sinon je n'aurais pas accepté le poste.

On pourrait penser que c'était une manière de forcer la main aux membres de l'instance.

Ce n'était ni le cas, ni mon intention. Je voulais tout simplement m'assurer que ma nomination fasse l'objet d'un consensus. C'était très important pour moi. Je ne me considère pas, dans mes fonctions, comme un autocrate. Je suis au contraire très attaché au principe de collégialité. Si j'ai une décision à prendre, je consulte, je demande des avis avant de décider.

C'est paradoxal. Vous êtes, comme le pape, maître après Dieu, avec un mandat dont vous décidez de la durée ; n'avez de comptes à rendre à personne et malgré tout cela vous consultez avant de décider. Vous associez à ce qui pourrait assimiler à un pouvoir royal une dose de démocratie…

Parler de pouvoir royal me semble un peu exagéré. Ce pouvoir est tempéré par un organe collégial qui pratique ce qui me semble très important : le principe de délégation de l'autorité. Donc, je n'interviens pas directement dans le fonctionnement des différentes loges maçonniques, il n'y a absolument aucune ingérence de ma part. Je suis le gardien de certaines traditions et des rites et de nos spécificités en étant, comme notre obédience, totalement anti-dogmatique.

Quels sont les rapports de Memphis-Misraïm avec la religion ?

Il est écrit dans notre constitution - et c'est un de nos principes fondamentaux - que nous ne dépendons d'aucune religion particulière. Nous laissons à nos membres pleine liberté de conscience pour se représenter personnellement celui que nous appelons le grand architecte de l'univers.

Comment recrutez-vous vos adhérents ?

Nous ne pratiquons pas le prosélytisme. Nos futurs adhérents viennent à nous, comme dans tous les courants maçonniques, c'est-à-dire par la rencontre avec un maçon qui s'aperçoit que son vis-à-vis a les qualités nécessaires.

Quel est le profil idéal d'un futur adhérent de Memphis-Israïm ?

Au terme profil idéal je préfère parler de personne initiable à nos mystères d'autant plus que nous sommes dans la maçonnerie plurielle avec différents courants. A la base il faut que la personne concernée souhaite sortir des ténèbres pour aller vers la lumière. C'est-à-dire que cette personne doit, à un moment donné de sa vie, se poser les questions fondamentales : d'où viens-je, qui suis-je et ou vais-je ?..

… il n'y a pas que la franc-maçonnerie qui incite à se poser ces questions qui existent depuis la nuit des temps et à chercher les réponses correspondantes.

C'est vrai. Mais nous les posons aussi. Pourraient venir chez nous des personnes qui souhaitent réaliser un travail de perfectionnement personnel. Des personnes qui sont persuadées que la vie ne se résume pas à notre passage sur terre. Que nous ne sommes pas nés du néant et que nous n'y retournons pas après le passage sur terre. Qui s'interrogent sur le sens de l'existence et sont prêts à entreprendre un travail de recherche initiatique pour atteindre d'autres niveaux de conscience pour développer ou redécouvrir en nous des facultés, des ressources et des possibilités existant à l'état latent.

Est-ce que dans ce monde de plus en plus dépendant du matérialisme, esclave de la facilité et du superficiel, la réflexion et la plongée en soi peuvent-elles intéresser ?

C'est vrai que beaucoup pourront dire en lisant vos questions et mes réponses : à quoi servent ces balivernes ? Mais je me dis aussi que nous avons le devoir de nous sentir responsables du devenir de l'humanité. Comme les altermondialistes, si peu nombreux, mais si indispensables dans le monde où nous vivons et dont je soutiens l'action. Je me dis que le changement ne peut venir que d'une prise de conscience que l'on peut atteindre grâce aux outils de la franc-maçonnerie. Il faut dire aux gens que nous courons à l'abîme si nous ne changeons pas. Le changement est possible grâce à la prise de conscience et je vous en donne un exemple concret : il y a dix ans on a dû considérer le concept de commerce équitable comme une baliverne. Mais peu à peu les gens se sont rendus compte des inégalités criantes entre le monde développé minoritaire et le reste de la planète majoritaire. Depuis, non seulement les boutiques de commerce équitable ont été ouvertes mais leurs produits, qui permettent à des paysans des pays pauvres d'avoir un revenu décent, sont maintenant vendus dans les grandes surfaces.

Vous n'êtes pas une association qui se contente de pratiquer ses rites mais est totalement ancrée dans la réalité du monde ?

Tout à fait. Pratiquer la spiritualité pour moi c'est quelque part, pour utiliser une image, avoir la tête dans le ciel mais avec les pieds solidement posés sur terre. C'est une question d'équilibre. Il ne faut pas négliger le monde de la matière tout en évitant de ne pas en faire une fin en soi, mais un instrument au service des causes qu'il faut défendre. Nous devons avoir un comportement responsable qui n'est pas inné et doit donc être accompagné. Si nous pouvons par l'initiation maçonnique aider l'homme à vivre dans de meilleures conditions il faut le faire. Pour moi la vraie philanthropie ne consiste pas à mettre de l'argent à la collecte mais de s'impliquer réellement dans la vie réelle.

Comment Memphis-Israïm est-elle considérée par les autres obédiences maçonniques : la petite cousine illuminée qui rumine dans son coin ou une petite prétentieuse qu'il vaut mieux ne pas fréquenter ?

Je pense que nous sommes souvent regardés avec curiosité parce que nous avons une manière particulière de pratiquer la maçonnerie. Mais en même temps, je crois, qu'il y a de la sympathie pour nous parce que nous sommes un dernier conservatoire pour une série de pratiques. Nous ne prétendons pas supplanter les autres organisations maçonniques qui sont numériquement puissantes et n'ont rien à craindre de nous. Nous ne sommes pas là pour faire du nombre. Notre but n'est pas de vouloir occuper des territoires et de porter ombrage aux organisations existantes.

Vous êtes davantage des gardiens de la tradition maçonnique…

Nous sommes les gardiens de la tradition certes mais nous ne confondons pas tradition, passéisme et obeissance bornée. Nous vivons dans le monde d'aujourd'hui et devons aussi savoir mettre la modernité au service de la tradition, sans que cette modernité tue la tradition.

Beaucoup de loges maçonniques ont - et certaines le revendiquent même - une certaine influence politique. Est-ce le cas de Memphis-Israim ?

Non. Il est interdit dans nos loges d'aborder les sujets qui divisent les hommes comme la religion et la politique. En tant qu'organisation nous ne pensons pas que nous devrions tenter d'influer sur le monde politique ou le monde religieux, ce qui n'interdit pas à nos membres d'avoir des engagements en tant que citoyens. On m'a proposé dans le cadre de cette visite à Madagascar et à Maurice de rencontrer des personnalités politiques. Je ne refuse pas de rencontrer des personnalités politiques, mais je ne suis pas demandeur de ce genre de rendez-vous.

Je ne sais pas si vous allez le prendre comme un compliment, mais vous présidez vraiment une association maçonnique à part.

Il ne s'agit pas de compliment mais de respect de nos convictions et de notre intégrité. Nous avons pour principe de ne pas parler de politique dans les loges. Nous ne pouvons donc pas solliciter des rendez-vous avec des politiques.

Quels sont vos moyens financiers ?

Très modestes à l'image de notre organisation. Si vous voulez tout savoir je vous dirai que le budget de fonctionnement de notre organisation internationale ne doit pas dépasser les 1 200 euros par an. Donc je voyage à mes frais.

Vous êtes un Grand Souverain très économe !

Nous sommes centrés sur l'homme et son perfectionnement et ne sommes pas partisans de l'extériorisation sauf circonstances exceptionnelles. L'essentiel du travail de maçon est de faire d'un homme brut un homme taillé. Mon devoir principal est de rendre tout ce que j'ai reçu tout au long de mon parcours et de préparer la relève.

Je vais terminer par la question que j'aurais dû vous avoir posée en premier lieu : pourquoi et comment êtes-vous devenu franc-maçon ?

De manière assez curieuse. C'est un collègue de travail qui a senti en lui une intuition qui l'a amené à m'approcher ; et j'étais alors un homme paralysé par la timidité, qui ne savait pas trop où il allait. Pour moi cette rencontre qui était quelque part programmé - je vous l'ai dit je ne crois pas dans le hasard - a donné à ma vie une nouvelle orientation.

Peut-on dire que l'entrée en franc-maçonnerie a fait de vous un autre homme ?

Je préfère dire qu'elle me transforme petit à petit. On ne naît pas franc-maçon, on le devient. C'est un processus qui ne trouve pas son point d'achèvement dans la vie présente mais qui va peut-être se prolonger dans une autre vie. Je crois que nous n'avons pas assez d'une vie pour accomplir notre mission et que nous gardons les outils que nous avons appris à maîtriser pour la suite du voyage.